O suicídio é uma temática assustadora. Todos querem saber se há
sinais de aviso, se os potenciais suicidas dão ou não a atender no que
estão a pensar levar a cabo, se temos ao nosso lado alguém em risco e
não nos apercebemos disso e, mais importante de tudo, se é ou não
possível evitá-lo e como.
Há vários pontos de vista em
relação a isto e aqui, como em muitos outros assuntos, quase se pode
dizer que a cada cabeça sua sentença, tantos os argumentos usados,
muitos deles contraditórios.
Quase todos nós já tivemos contactos
com o suicídio quer duma forma directa quer indirecta, já todos lemos
noticias acerca desta ou daquela figura pública que se suicidou e
acredito que o que a maioria de nós mais teme é que aconteça com alguém
com quem nos relacionamos, familiar ou amigo, e não tenhamos estado
suficientemente despertos para os sinais de alerta.
É
comum ouvirmos dizer, que quem está com intenções de se matar não avisa e
quem apenas quer chamar a atenção para si ou para uma determinada
situação, fala sobre o assunto, ameaça. Este é um dos grandes mitos da
psicologia, defendido e aceite quase genericamente por todos, e diz que o
verdadeiro suicida, aquele que tem de facto intenções de ser bem
sucedido não avisa, não dá qualquer sinal.
É
um mito, e como tal, falso, e perigoso porque nos leva a desvalorizar
situações de perigo real. Eu aconselho que se dê sempre atenção a
qualquer sinal ou exteriorização de vontade porque nunca sabemos quando é
que o que nos estão a dizer vai ou não ser passado ao acto. Na dúvida,
salvaguardamos a intenção e tomamos precauções.
Expressões
como "não devia ter nascido", " estou farto de viver", " não faço falta
a ninguém", "qualquer dia acabo com isto", e outras do mesmo teor,
devem pôr-nos alertas em relação a quem as pronuncia. É claro que todos
nós já as proferimos uma ou outra vez quando a fase de vida que
atravessamos é menos positiva e têm portanto de ser contextualizadas,
mas não custa nada ficar atento, principalmente se a pessoa em questão
estiver a passar por uma qualquer situação de perda, afectiva, laboral,
de auto estima ou monetária porque toda a perda é potencialmente
geradora de doença depressiva que é, por sua vez, uma das primeiras
doenças mentais associadas ao suicídio
Estudos
diversos comprovam que 90% dos casos de suicídios estão relacionados
com uma perturbação mental: depressão, doença bipolar, esquizofrenia,
alcoolismo ou consumo de drogas e quando dois ou mais destes factores
se juntam, é claro que o risco aumenta.
Outro
grupo de risco a ter em conta é o dos adolescentes que estão numa
fase de maior vulnerabilidade, e em que as acções e reacções a
acontecimentos negativos são normalmente exacerbados, sendo o suicídio a
segunda maior causa de morte entre os adolescentes, logo a seguir aos
acidentes.
Assim, se estiver em contacto com alguém que,
- se sinta triste, envergonhado, culpado ou que é um peso para os outros
- se sinta rejeitado, humilhado, vitima
- se sinta sozinho ou abandonado
estes sentimentos tenham sido desencadeados por,
- divórcio, luto
- doença física grave
- velhice (os idosos são outro dos grandes grupos de risco)
- desemprego ou problemas financeiros
- consumo de álcool ou drogas
e vir um ou mais destes comportamentos,
- consumo excessivo de álcool ou drogas
- serenidade depois de um período de grande agitação e ansiedade
- verbalização do desejo de morrer ou de estar farto da vida
- mudanças nos hábitos alimentares e/ou de sono
- auto mutilação
- diminuição do rendimento escolar
- dificuldades de concentração
- afastar-se da família e dos amigos
- deixar actividades que antes lhe davam prazer
- doar bens ou organizar a vida
Esteja atento e, se necessário, peça ajuda especializada.
E logo, às 20 horas, juntem-se a nós nesta iniciativa da Associação Mundial de Prevenção do Suicídio e acendam uma vela junto de uma janela.