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2 de agosto de 2016

”O verdadeiro valor do anel”

 
Todos precisamos do amor e aprovação dos outros, mas muitas vezes vivemos apenas em função disso e se essa aprovação não chega sentimo-nos desmoralizados e sem préstimo. Esta história de Jorge Bucay pode ser um bom ponto de partida para uma reflexão mais profunda sobre isto.

É uma história sobre um rapaz que procurou um sábio em busca de ajuda

- Venho até cá, mestre, porque me sinto tão tacanho que não tenho vontade de fazer nada. Dizem-me que não presto, que não faço nada bem, que sou lento e estúpido. Como posso melhorar?Que posso fazer para que as pessoas me valorizem mais?
 O mestre, sem olhar para ele, disse: 
- Lamento muito, rapaz, mas não posso ajudar-te. Primeiro, tenho de resolver o meu próprio problema. Talvez depois…- E fazendo uma pausa, acrescentou:  - Se tu me quiseres ajudar, eu poderia resolver este assunto mais depressa e talvez depois te possa ajudar.  
- Com todo o prazer, mestre  - gaguejou o rapaz, sentindo novamente que estava a ser desvalorizado e que as suas necessidades eram adiadas.  
- Bom continuou o mestre, tirando um anel que trazia no dedo mindinho da mão esquerda. Dando-o ao rapaz, acrescentou:  - Pega no cavalo que está lá fora e vai ao mercado.Tenho de vender este anel porque preciso de pagar uma divida. Tens de obter por ele a maior quantia possível e não aceites menos do que uma moeda de ouro. Vai e volta com a moeda o mais depressa que puderes.

O jovem pegou no anel e partiu. Assim que chegou ao mercado, começou a oferecer o anel aos comerciantes, que o fitavam com interesse até o jovem dizer quanto queria por ele.

Sempre que o rapaz mencionava a moeda de ouro, alguns riam-se outros viravam-lhe a cara e só um velhinho foi suficientemente amável e se deu ao trabalho de lhe explicar que uma moeda de ouro era demasiado valiosa para ser trocada por um mero anel. Alguém, desejoso de ajudar, ofereceu-lhe uma moeda de prata e um recipiente de cobre, mas o jovem tinha ordens para não aceitar menos do que uma moeda de ouro e, como tal, rejeitou a oferta.  
Depois de oferecer a jóia a todas as pessoas que se cruzaram com ele no mercado, que foram mais de cem, e abatido pelo seu fracasso, o rapaz montou no cavalo e regressou para junto do sábio.  
Ele ansiava por uma moeda de ouro para entregar ao mestre e libertá-lo da sua preocupação, de modo a poder receber finalmente o seu conselho de ajuda.

Entrou no quarto do sábio.  
- Mestre – disse -, lamento muito. Não possível fazer o que me pedes. Talvez tivesse conseguido arranjar-te duas ou três moedas de prata, mas não creio conseguir enganar as pessoas quanto a verdadeiro valor do anel.  
- O que disseste é muito importante, meu jovem amigo – respondeu o mestre, sorridente. – Primeiro, temos de conhecer o verdadeiro valor do anel. Torna a montar no teu cavalo e vai ao ourives. Quem melhor do que ele para nos dizer o valor? Diz-lhe que gostavas de vender a jóia e pergunta-lhe quanto te dá por ela. Mas não importa o que ele te ofereça: não lho vendas. Volta com o meu anel.

O jovem tornou a cavalgar.  
O ourives inspeccionou o anel à luz da candeia, observou-o à lupa, pesou-o e respondeu ao rapaz: -Diz ao mestre, rapaz, que, se o quiser vender agora mesmo, não lhe posso dar mais do que cinquenta e oito moedas de ouro pelo seu anel.  
- Cinquenta e oito moedas?! – exclamou o jovem 
- Sim – replicou o ourives. – Eu sei que, com o tempo, poderíamos obter por ele cerca de setenta moedas, mas se a venda é urgente…

O jovem correu, emocionado, para casa do mestre, ansioso por lhe contar a novidade. 
- Senta-te – disse o mestre depois de o ouvir:  - Tu és como esse anel: uma jóia valiosa e única. E, como tal, só podes ser avaliado por um verdadeiro perito. Porque é que vives à espera que qualquer pessoa descubra o teu verdadeiro valor?

E, dito isto, tornou a pôr o anel no dedo mindinho da sua mão esquerda.

O primeiro passo é ser o seu próprio perito e valorizar-se convenientemente. Só depois disso pode e deve exigir a valorização alheia


21 de junho de 2016

O leão e seu reflexo


Uma história muito bonita, com uma moral que o deixará pensando sobre a maneira como você pode enfrentar seus problemas e dar o tão temido primeiro passo, necessário para que possamos seguir em frente.
Certamente você já passou por uma situação onde um problema se transforma no ar que você respira, na comida que come, na roupa que veste… tudo gira em torno desse inconveniente e ele está presente a todo momento, em seus pensamentos e em suas emoções.
Preste atenção à história do leão:
Era uma vez um leão que vivia em um deserto. Lá, o vento soprava muito forte, e por isso a água das lagoas onde todos os animais bebiam nunca ficava parada. As potentes rajadas ondulavam a superfície das lagoas e nada nunca se refletia nelas.
Um dia, o leão entrou no bosque onde costumava caçar e, em seu tempo livre, brincar, até que se sentiu cansado e com dede. Procurando água, chegou a uma lagoa que continha o líquido mais fresco, tentador e suave que nunca ninguém pode imaginar.
O leão se aproximou da lagoa, estendeu o pescoço e tentou beber um bom gole. De repente, viu seu próprio reflexo e se assustou ao pensar que se tratava de outro leão que estava na sua frente.
“Essa água deve pertencer a outro leão, melhor eu sair daqui, com muito cuidado”, pensou o animal. Retrocedeu, mas, então, a sede o fez voltar novamente para a lagoa. Outra vez, viu a cabeça de um temível leão com uma grande juba que devolvia o olhar desde a superfície da água.
O leão dessa história se agachou à espera do momento oportuno para afugentar o “outro leão”. Como estava acostumado a fazer para marcar seu território ou demonstrar que se encontrava em seu lugar, abriu seu enorme maxilar e deu um terrível rugido. Mas, é claro, assim que mostrou seus dentes, a boca do “outro leão” também se abriu; o que pareceu uma terrível e perigosa visão para o nosso leão…
Uma e outra vez o leão se afastava, mas logo tomava coragem para voltar até a lagoa e sempre tinha a mesma experiência. Depois de um longo momento, contudo, estava tão sedento e desesperado que se decidiu: “Com ou sem outro leão, beberei dessa lagoa da mesma forma!” Assim que o leão mergulhou a cabeça na água… o “outro leão” desapareceu!

5 de maio de 2016

A demissão da formiga desmotivada


"Todos os dias, uma formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho. A formiga era produtiva e feliz.
O gerente marimbondo estranhou a formiga trabalhar sem supervisão. Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada. E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência, como supervisora.
A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga.
Logo, a barata precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefónicas.
O marimbondo ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões.
A barata, então, contratou uma mosca, e comprou um computador com impressora colorida.
Logo, a formiga produtiva e feliz, começou a se lamentar de toda aquela movimentação de papéis e reuniões!
O marimbondo concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga produtiva e feliz, trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial...
A nova gestora cigarra logo precisou de um computador e de uma assistente a pulga (sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e cada dia se tornava mais chateada.
A cigarra, então, convenceu o gerente marimbondo, que era preciso fazer uma pesquisa de clima. Mas, o marimbondo, ao rever as finanças, se deu conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação.
A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía: Há muita gente nesta empresa!
E adivinha quem o marimbondo mandou demitir?
A formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida."

Autor desconhecido


18 de abril de 2016

A lenda do lobo bom X lobo mau


“Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre o combate que acontece dentro das pessoas.
Ele disse:
– A batalha é entre os dois lobos que vivem dentro de todos nós. Um é Mau. É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, mentiras, orgulho falso, superioridade e ego.
O outro é Bom. É alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.
O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô:
– Qual lobo vence?
O velho índio respondeu:
– Aquele que você alimenta!”

Essa história é muito simbólica. Os dois lobos são as nossas emoções positivas e negativas. Essas nossas emoções são causadas pela nossa forma de pensar, portanto, o lobo que alimentamos é uma escolha nossa. Às vezes temos a impressão que o mundo nos virou as costas e que todas as coisas ruins só acontecem connosco, no entanto isso pode não ser uma verdade absoluta, mas sim a forma como nós percepcionamos os factos. Se pensarmos que as pessoas são ruins e que querem nos prejudicar, vemos o mundo com essas lentes e provavelmente encontraremos evidências que reforcem essa ideia, mesmo que ela não seja verdade. Essas ideias negativas nos proporcionarão emoções negativas de tristeza, raiva,vingança ….

No entanto, mesmo tendo vivenciado algo mau podemos entender que foi um azar, ou que as pessoas que nos proporcionaram algum mal, não o fizeram intencionalmente… Se pensarmos assim estaremos flexibilizando nossos pensamentos e alimentando o nosso lobo bom que nos trará emoções positivas. Essa atitude nos proporcionará um círculo virtuoso. Pensar bem nos faz sentir bem e agir bem. Que tal experimentar alimentar o lobo bom dentro de você?

1 de março de 2016

Cuidado com as palavras


Certa vez, um homem tanto falou que seu vizinho era ladrão, que o vizinho acabou sendo preso. Algum tempo depois, descobriram que era inocente.
O rapaz foi solto, após muito sofrimento e humilhação, e processou o homem que o acusara.

No tribunal, o homem disse ao juiz:
__ "Comentários não causam tanto mal."
E o juiz respondeu:
__ " Escreva os comentários que você fez sobre ele num papel. Depois pegue o papel e jogue os pedaços pelo caminho de casa. Amanhã, volte para ouvir a sentença!"
O homem obedeceu e voltou no dia seguinte, quando o juiz disse:
__ "Antes da sentença, terá que catar os pedaços de papel que espalhou ontem!"
__ "Não posso fazer isso, !" - respondeu o homem.
__ "O vento deve tê-los espalhado por tudo quanto é lugar e já não sei onde estão!"
Ao que o juiz respondeu:
__ "Da mesma maneira, um simples comentário que pode destruir a honra de um homem, espalha-se a ponto de não podermos mais consertar o mal causado.
Se não se pode falar bem de uma pessoa, é melhor que não se diga nada!"
Sejamos senhores de nossa língua, para não sermos escravos de nossas palavras.


29 de fevereiro de 2016

Leap day


Esta é uma tradição irlandesa e bem engraçada.  Acredita-se que em ano bissexto, as mulheres podem inverter o jogo e pedir o homem em casamento no dia 29 de fevereiro. E além disso, o pedido de casamento não pode ser recusado.

Isso tudo começou com uma conversa entre os santos padroeiros da Irlanda, Santa Brígida e o também bispo São Patrício, sobre o dilema das mulheres que passavam a vida a espera de um pedido de casamento. No começo do século XIII este padroeiro decidiu solucionar o problema, e permitiu que as mulheres fizessem o pedido no dia 29 de fevereiro. Outro facto curioso é a obrigatoriedade de usarem uns calções. Desde então a brincadeira tornou-se famosa e com data marcada para 29 de fevereiro.

15 de fevereiro de 2016

A árvore da vida dos amigos




Existem pessoas nas nossas vidas que nos fazem  felizes  pela simples casualidade de terem cruzado o nosso caminho.
Algumas percorrem o caminho a nosso lado, vendo  muitas luas passar, mas outras apenas vemos entre um passo e outro.
A todas chamamos amigos e há muitas classes deles.
Talvez  cada  folha de  uma árvore represente um dos nossos amigos.
O primeiro que nasce é o nossos amigo Pai e a  nossa  amiga Mãe, que  nos mostram o que é a vida.
Depois, vêem os amigos Irmãos, com quem dividimos o  nosso espaço para que possam florescer como nós.
Passamos a conhecer toda a família de folhas a quem  respeitamos e desejamos o bem.
Mas, o destino apresentamos a outros amigos, os  quais não sabíamos que iriam cruzar-se no nosso caminho. A muitos de eles  chamamos-lhes  amigos da alma, do coração. São sinceros, são verdadeiros. Sabem quando não estamos bem, sabem o que nos faz feliz.
E ás vezes um desses nossos amigos da alma estala no nosso coração e então chamamos-lhe um amigo namorado. Esse dá brilho aos nossos olhos, música aos  nossos lábios, saltos aos nossos pés.
Mas também há aqueles amigos de passagem, talvez umas férias  ou  uns dias   ou umas horas.  Eles colocam-nos sorrisos no rosto durante o tempo   que  estamos  com  eles.
Falando do assunto, não podemos esquecer os amigos distantes,  aqueles  que  estão na "ponta das ramas" e que quando o vento sopra,  sempre  aparecem  entre uma folha e outra. O tempo passa, o  Verão  vai-se,  o Outono  aproxima-se e perdemos algumas das nossas   folhas,  algumas  nascem  noutro Verão e outras permanecem por muitas estações.
Mas o que nos deixa mais felizes, é que as  folhas que caíram  continuam junto, alimentando a nossa raiz com alegria. São  recordações  de momentos maravilhosos de quando se cruzaram no nosso caminho.
Desejo-te, folha da minha árvore, paz, amor, sorte e prosperidade.
Hoje e sempre...Simplesmente porque cada pessoa que  passa na nossa vida é única. Sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de  nós.
Haverá os que levam muito, mas não haverá os que não  nos deixam nada.
Esta é a maior responsabilidade da nossa vida e a  prova evidente de que duas almas não se encontram por casualidade."

5 de fevereiro de 2016

Explicando o inexplicável


No início dos tempos, reuniram-se todos os sentimentos e qualidades dos homens num lugar da Terra.
Quando o Aborrecimento já se queixava pela terceira vez, a Loucura, como sempre tão louca, propôs-lhes:
- Vamos brincar às escondidas?

A Intriga levantou a sobrancelha intrigada, e a Curiosidade, sem poder conter-se, perguntou:
- Escondidas? Como é isso?
- É um jogo, explicou a Loucura, em que eu fecho os olhos e começo a contar de um a um milhão, enquanto vocês se escondem, e quando eu tiver terminado de contar, o primeiro que encontrar ocupará o meu lugar para continuar o jogo.

O Entusiasmo dançou seguido pela Euforia, a Alegria deu tantos saltos que acabou por convencer a Dúvida e até mesmo a Apatia.
Mas nem todos quiseram participar, a Verdade preferiu não se esconder...para quê? Se no final todos a encontravam? A Soberba opinou que era um jogo muito tonto (no fundo, o que a incomodava era que a ideia não tivesse sido dela), e a Cobardia preferiu não se arriscar.

- Um, dois, três, quatro... - começou a Loucura a contar. A primeira a esconder-se foi a Pressa, que como sempre caiu atrás da primeira pedra do caminho.

A subiu ao céu e a Inveja escondeu-se atrás da sombra do Triunfo, que com seu próprio esforço tinha conseguido subir na copa da mais alta árvore.

A Generosidade, quase não conseguia esconder-se, pois cada local que encontrava, parecia-lhe maravilhoso para alguns de seus amigos: se era um lago cristalino, ideal para a Beleza. Se era uma árvore, ideal para a Timidez se esconder na sua copa, se era o voo de uma borboleta ou uma rajada de vento, magnífico para a Liberdade. E assim, acabou por esconder-se num raio de sol.

O Egoísmo, ao contrário, encontrou um local muito bom desde o início. Ventilado e cómodo, mas apenas para ele.

A Mentira escondeu-se no fundo do oceano (mentira, na realidade, escondeu-se atrás do arco-iris) e a Paixão e o Desejo, no centro dos vulcões.

O Esquecimento, não me recordo onde se escondeu, mas isso não é o mais importante.

Quando a Loucura estava já pelos 999999, o Amor ainda não tinha encontrado um local para se esconder, pois já todos estavam ocupados, até que encontrou uma roseira e, carinhosamente, decidiu esconder-se entre as suas flores.

- "Um milhão", contou a Loucura e começou a busca.

A primeira a aparecer foi a Pressa, apenas a três passos de uma pedra.

O Egoísmo, nem teve que o procurar! Ele saiu disparado sozinho do seu esconderijo, que na verdade era um ninho de vespas.

De tanto caminhar, sentiu sede, e ao aproximar-se de um lago, descobriu a Beleza. A Dúvida foi mais fácil ainda, pois encontrou-a sentada sobre uma cerca sem decidir de que lado se esconder. E assim, foi encontrando-os a todos.

O Talento entre a erva fresca, a Angústia, numa cova escura, a Mentira atrás do arco-íris (mentira, estava no fundo do oceano) e até o Esquecimento, que já se tinha esquecido que estava a brincar ás escondidas.

Apenas o Amor não aparecia em local nenhum... A Loucura procurou atrás de cada árvore, por baixo de cada rocha do planeta e em cima das montanhas!

Quando estava a ponto de se dar por vencida, encontrou um roseiral, pegou uma forquilha e começou a mover os ramos, quando, no mesmo instante, escutou-se um doloroso grito.

Os espinhos tinham ferido o Amor nos olhos. A Loucura não sabia o que fazer para desculpar-se. Chorou, chorou, implorou, pediu perdão e até prometeu ser seu guia.

Desde então, desde que pela primeira vez se brincou as escondidas na Terra...

..o Amor é cego, e a Loucura acompanha-o sempre!


 Autor: desconhecido

 

15 de janeiro de 2016

A torrada queimada


“Quando eu ainda era um menino, minha mãe gostava de fazer um lanche, tipo café da manhã, na hora do jantar. E eu me lembro especialmente de uma noite, quando ela fez um lanche desses, depois de um dia de trabalho muito duro.
Naquela noite distante, minha mãe colocou um copo com leite e um prato com torradas bastante queimadas, para o meu pai. Eu me lembro de ter esperado um pouco, para ver se alguém notava o fato. Tudo o que meu pai fez foi pegar a sua torrada, sorrir para minha mãe, e me perguntar como tinha sido o meu dia na escola.
Eu não me lembro do que respondi, mas me lembro de ter olhado para ele lambuzando a torrada com manteiga e geléia e engolindo cada pedaço.
Quando eu deixei a mesa naquela noite, ouvi minha mãe se desculpando por ter queimado a torrada. E eu nunca esquecerei o que ele disse:
- Amor, eu adoro torrada queimada.
Mais tarde, naquela noite, quando fui dar um beijo de boa noite em meu pai, eu lhe perguntei se ele realmente gostava de torrada queimada. Ele me envolveu em seus braços e me disse:
- Filho, sua mãe teve um dia de trabalho muito pesado e estava realmente cansada. Além disso, uma torrada queimada não faz mal a ninguém. A vida é cheia de imperfeições e as pessoas não são perfeitas. E eu também não sou o melhor cozinheiro do mundo.
O que tenho aprendido através dos anos é que saber aceitar as falhas alheias, relevando as diferenças entre uns e outros, é uma das chaves mais importantes para criar relacionamentos saudáveis e duradouros.
E essa lição serve para qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos e amigos.”


Que posso dizer? Apenas que me desculpem por de vez em quando deixar queimar a vossa torrada.


22 de outubro de 2015

O poder da mudança

 
  
“Era uma vez duas rãs que caíram numa tigela de nata. Imediatamente começaram a afundar; era impossível nadar ou boiar naquela massa espessa como areia movediça. No começo, as duas mexiam as pernas tentando inutilmente chegar à borda do recipiente. Só conseguiam espirrar nata para todos os lados sem sair do lugar, afundando mais. Sentiam que era cada vez mais difícil respirar. Uma delas falou: – Não adianta. É impossível sair daqui. Não consigo nadar neste liquido pegajoso. Já que vou morrer mesmo, para quê prolongar a dor? Não vejo sentido em morrer extenuada por um esfo“Era uma vez duas rãs que caíram numa tigela de creme. Imediatamente começaram a afundar; era impossível nadar ou boiar naquela massa espessa como areia movediça. No começo, as duas mexiam as pernas tentando inutilmente chegar à borda do recipiente. Só conseguiam espirrar creme para todos os lados sem sair do lugar, afundando mais. Sentiam que era cada vez mais difícil respirar. Uma delas falou: – Não adianta. É impossível sair daqui. Não consigo nadar neste líquido pegajoso. Já que vou morrer mesmo, para que prolongar a dor? Não vejo sentido em morrer extenuada por um esforço inútil. Então ela parou de bater as pernas e afundou de vez, literalmente engolida pela massa branca. A outra rã, mais persistente, ou talvez mais teimosa, disse a si mesma: – Não tem jeito! Não dá para sair daqui. Porém, já que a morte está chegando, vou lutar até ficar sem fôlego. Não quero morrer nem um segundo sequer antes da hora.
Ela continuou batendo as pernas sem sair do lugar, sem avançar um centímetro, por horas a fio. E assim, depois de tanto mexer a massa, a nata virou manteiga. A rã, surpresa, deu um pulo e foi patinando até a borda da tigela. E saiu coaxando alegremente de volta para casa. ”  
Jorge Bucay 
Face às dificuldades podemos desistir ou persistir. A escolha é tua.
Que rã costumas ser?



11 de junho de 2015

A montanha russa do humor


Há dias em que acordo eufórica, exultante de alegria e ânimo e adoro. Sinto-me feliz, realizada, capaz de tudo e consigo mesmo realizar uma série de tarefas consecutivas como se tudo fluísse naturalmente, sem grande esforço. Parece que posso fazer tudo o que quiser e que tudo é possível.
Mas também há um inverso, dias em que o desânimo me invade, que a energia está abaixo de zero, que me sinto infeliz e tudo o que tento fazer me parece demasiado penoso para ser concluído. A minha produção diminuí drasticamente e sinto-me uma inútil sem préstimo. Serei bipolar?

Esta foi a descrição e a pergunta de uma doente na última consulta e acho que haverá muita gente que me lê com essa mesma dúvida. Serão estas oscilações de humor patológicas e indicadores que algo grave se passa ou serão apenas altos e baixos normais que qualquer pessoa sente e que a eles se tem de adaptar? É claro que não conseguimos manter sempre o mesmo nível de motivação, entrega e entusiasmo e quando sofremos algum revés temos tendência a esmorecer e abrandar o ritmo e isso nada tem de patológico. São apenas pequenas oscilações de humor, normais e adaptativas de que precisamos para avançar. Aparecem normalmente quando nos deparamos com obstáculos que nos impedem de alcançar os objectivos que tínhamos anteriormente determinado e a nossa força interior mede-se também pela capacidade que demonstramos face a essas contrariedades e à forma como lidamos com elas. Aceitar as coisas como são e mudar a nossa percepção é o melhor caminho. Temos de nos recordar que não controlamos a vida nem as pessoas que nos cercam, o que podemos e devemos controlar é a forma como encaramos as situações. Esse é o único controlo que temos.

Para que percebam melhor o que vos quero transmitir, deixo-vos com um pequeno texto retirado do livro de Jorge Bucay

O rei bipolar

Era uma vez um rei muito bom e poderoso que morava em um país distante. Mas ele tinha um problema: suas duas personalidades.
Havia dias em que se levantava exultante, eufórico, feliz, e tudo lhe parecia maravilhoso. Achava os jardins de seu palácio ainda mais bonitos. Nessas manhãs, por alguma estranha razão, seus servos eram amáveis e eficientes.
Durante o desjejum, o rei afirmava que no seu reino eram fabricadas as melhores farinhas e colhidos os frutos mais saborosos.
Naqueles dias, o monarca reduzia os impostos, repartia riquezas, concedia favores e legislava pela paz e pelo bem-estar dos anciãos.
Além disso, realizava todos os pedidos dos súditos e amigos. Mas também havia os “outros dias”.
Eram dias negros. Ele acordava achando que deveria ter dormido um pouco mais, porém já era tarde e o sono o abandonara.
Apesar do esforço, não compreendia por que seus servos estavam tão mal-humorados nem por que o serviço estava tão ruim. O sol o incomodava mais do que a chuva. Achava a comida sem graça e o café, frio. A ideia de receber pessoas piorava ainda mais sua dor de cabeça.
Nesses dias, o rei pensava nos compromissos que havia assumido e em como conseguiria cumpri-los. Ele tornava a aumentar os impostos, confiscava terras, prendia seus opositores… Temeroso do futuro e do presente, perseguido pelos erros do passado, o rei voltava-se contra o povo e a palavra que mais usava era NÃO.
Consciente dos problemas causados por essas alterações de humor, o rei chamou todos os sábios, magos e assessores do reino para uma reunião.
– Senhores, todos vocês conhecem minhas mudanças de humor. Todos têm sido beneficiados pelos meus momentos de euforia e têm padecido com meus desgostos. Mas quem é mais prejudicado sou eu mesmo, que a cada dia desfaço o que já fiz, pois vejo as coisas de um modo diferente. Necessito que vocês trabalhem juntos para conseguir um remédio, uma poção mágica ou um encanto que me ajude a não ser tão absurdamente otimista que não enxergue os fatos nem tão ridiculamente pessimista que oprima e prejudique aqueles de quem eu gosto.
Os sábios aceitaram o desafio e trabalharam na tarefa durante várias semanas.
Porém, apesar de todos os feitiços e de todas as ervas, não encontraram solução e admitiram o fracasso.
Nessa noite, o rei chorou.
Na manhã seguinte, apareceu um estranho visitante pedindo um encontro com o rei. Era um misterioso homem de pele escura vestindo uma túnica puída que algum dia havia sido branca.
– Majestade – disse o homem, fazendo uma reverência –, venho de um lugar onde se fala dos vossos males e da vossa dor. Trago o remédio de que Vossa Majestade precisa. – Inclinando a cabeça, entregou ao rei uma caixinha de couro.
O rei, entre surpreso e esperançoso, abriu a caixa. Nela havia um anel prateado.
– Todas as manhãs, assim que vos levantardes, deveis ler a inscrição do anel e lembrar-se dessas palavras cada vez que o virdes em vosso dedo.
O rei pegou o anel e leu em voz alta:
 ISTO também passará.


21 de maio de 2015

A Ilha dos Sentimentos



Era uma vez uma ilha, onde moravam todos os sentimentos: a Alegria, a Tristeza, a Sabedoria e todos os outros sentimentos. Por fim o amor. Mas, um dia, todos os moradores foram avisados que aquela ilha iria afundar. Todos os sentimentos se apressaram para sair da ilha.
 

Pegaram seus barcos e partiram. Mas o amor ficou, pois queria ficar mais um pouco com a ilha, antes que ela afundasse. Quando, por fim, estava quase se afogando, o Amor começou a pedir ajuda. Nesse momento estava passando a Riqueza, em um lindo barco. O Amor disse:
- Riqueza, leve-me com você.
- Não posso. Há muito ouro e prata no meu barco. Não há lugar para você.

Ele pediu ajuda à Vaidade, que também vinha passando.
- Vaidade, por favor, me ajude.
- Não posso te ajudar, Amor, você esta todo molhado e poderia estragar meu barco novo.

Então, o amor pediu ajuda à Tristeza.
- Tristeza, leve-me com você.
- Ah! Amor, estou tão triste, que prefiro ir sozinha.

Também passou a Alegria, mas ela estava tão alegre que nem ouviu o amor chamá-la.
Já desesperado, o Amor começou a chorar. Foi quando ouviu uma voz chamar:
- Vem Amor, eu levo você!

Era um velhinho. O Amor ficou tão feliz que esqueceu-se de perguntar o nome do velhinho. Chegando do outro lado da praia, ele perguntou à Sabedoria.
- Sabedoria, quem era aquele velhinho que me trouxe aqui?
A Sabedoria respondeu:

- Era o TEMPO.
- O Tempo? Mas porque só o Tempo me trouxe?
- Porque só o Tempo é capaz de entender o "AMOR"."


Autor: Reinilson Câmara
enviada por: Sammy (obrigado)


10 de fevereiro de 2015

O relógio parado às sete...

Hoje partilho convosco um texto  do psicoterapeuta argentino Jorge Bucay.

"Numa das paredes do meu quarto, encontra-se pendurado um bonito relógio antigo, que deixou de trabalhar. Os seus ponteiros, parados praticamente desde sempre, assinalam imperturbáveis a mesma hora: as sete em ponto.
A maior parte do tempo, o relógio é apenas um inútil objecto de decoração numa parede branca, vazia. No entanto, há dois momentos durante o dia, dois fugazes instantes, em que o velho relógio parece renascer das cinzas como uma fénix. Duas vezes por dia, de manhã e à noite, o relógio sente-se em completa harmonia com o resto do Universo.
Se alguém olhar para o relógio apenas nesses dois instante, diria que funciona às mil maravilhas... mas, passado esse momento, quando os restantes relógios calam os seus cantos e os ponteiros prosseguem o seu monótono caminho, o meu velho relógio perde o passo e permanece fiel aquela hora em que, um dia, deteve o seu andar.
Também eu estou parado no tempo. Também eu me sinto preso e imóvel. Também eu sou, de alguma maneira, um adorno inútil numa parede vazia.
Mas desfruto também de momentos fugazes em que, misteriosamente, chega a minha hora.
Durante esses momentos, sinto que estou vivo. Tudo se torna claro e o mundo afigura-se-me maravilhoso. Consigo criar, sonhar, voar, dizer e sentir mais coisas nesses instantes do que no resto do tempo. Essas conjugações harmónicas ocorrem e repetem-se uma e outra vez, como uma sequência inexorável.
A primeira vez que o senti, tentei agarrar-me a esse instante, pensando que o poderia fazer durar para sempre. Mas não. Como acontece com o meu amigo relógio, também a mim se me escapa o tempo dos demais. ... Passados estes momentos, os outros relógios, que vivem dentro de outros homens, continuam a sua rotação e eu volto à minha rotineira morte estática, ao meu trabalho, às minhas conversas de café, ao meu entediado passo a que costumo chamar vida.
Mas sei que vida é outra coisa.
Sei que a vida, na verdade, é a soma daqueles momentos que, ainda que fugazes, nos permitem perceber a sintonia com o Universo. "

Uma das coisas que julgo ser mais prejudicial  ao ser humano é aspirar a ser feliz todos os minutos, todos os dias. Isso é utópico e pode levar a que não apreciemos verdadeiramente os nossos momentos de felicidade. 

Hoje em dia somos bombardeados continuamente com a aparente felicidade alheia, via redes sociais. Parece que toda a gente é feliz a todas as horas e esquecemo-nos que as pessoas só expõem em público o lado positivo da vida. As tristezas, as frustrações, as traições, os desamores, e outros obstáculos são, na sua maioria das vezes, escondidos e vivenciados, em sofrimento, na intimidade. 

Não devemos avaliar a nossa vida pela vida dos outros porque nunca sabemos verdadeiramente que vida é essa. Temos de aprender a desfrutar dos nossos momentos felizes  e aprender com os momentos menos bons. A vida é feita de ciclos, umas vezes estamos no alto da montanha, com a beleza estonteante da paisagem à nossa frente, e outras vezes estamos no vale escuro e sem sol. São duas faces da mesma moeda a que chamamos vida e, na verdade, seríamos incapazes de apreciar e dar valor a uma se a outra não existisse.

7 de janeiro de 2015

Lições de vida



Depois de plantada a semente do bambu chinês, não se vê nada por aproximadamente 5 anos - excepto um diminuto broto. Todo o crescimento é subterrâneo; uma complexa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra, está sendo construída. Então, ao final do 5º ano, o bambu chinês cresce até atingir os 25 metros.

Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês. Trabalha, investe tempo e esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento e, às vezes, não vê nada por semanas, meses ou anos. Mas, se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu 5º ano chegará; com ele virão mudanças que não esperava.

Lembre-se que é preciso muita ousadia para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita profundidade para agarrar-se ao chão.
                                                                                                              ( Paulo Coelho)

20 de novembro de 2014

Lição de vida


Um sujeito estava colocando flores no túmulo de um parente, quando vê um
chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado.
Ele se vira para o chinês e pergunta:
- Desculpe, mas o senhor  acha mesmo que o defunto virá comer o arroz?
E o chinês responde:
- Sim, quando o seu vier cheirar as flores.

Moral da História:
"Respeitar as opções do outro, em qualquer aspecto, é uma das maiores
virtudes que um ser humano pode ter. As pessoas são diferentes, agem
diferentes e pensam diferentes. Portanto, nunca julgue. Apenas tente
compreender."

9 de outubro de 2014

O Tijolo Bumerangue


Mais uma maravilhosa história de Jorge Bucay, desta vez sobre o efeito autodestrutivo da raiva contida.

 

Naquele dia, eu estava muito irritado. Estava de mau humor e tudo me incomodava. A minha atitude no consultório era pouco produtiva e eu só reclamava Detestava tudo o que fazia e tudo o que tinha. Mas, acima de tudo, estava aborrecido comigo mesmo, como num conto de Papini que o Jorge me leu, naquele dia eu sentia que não conseguia suportar «ser eu mesmo».

— Sou um estúpido — disse-lhe (ou disse para mim próprio). — Um imbecil… Acho que me detesto.
— És detestado por metade da população deste consultório. A outra metade vai contar-te uma história.

Era uma vez um homem que andava sempre com um tijolo na mão. Tinha decidido que, quando alguém o irritasse a ponto de ficar cheio de raiva, lhe daria com o tijolo na cabeça. O método era um bocado agressivo, mas parecia eficaz, não é?

Um dia cruzou-se com um amigo muito prepotente, que lhe falou com maus modos. Fiel à sua decisão, o homem pegou no tijolo e atirou-lho à cabeça.
Não me lembro se lhe acertou ou não. Mas acontece que, depois disso, o facto de ter de ir buscar o tijolo depois de o arremessar lhe pareceu um bocado incómodo.

 Decidiu, então, inventar o «Sistema de Autopreservação do Tijolo», como lhe chamou. Atou uma corda de um metro ao tijolo e saiu para a rua. Isto permitia que o tijolo nunca se afastasse demasiado, mas rapidamente o homem constatou que o novo método também tinha os seus problemas: por um lado, a pessoa destinatária da sua hostilidade tinha de estar a menos de um metro de distância e, por outro, depois de atirar o tijolo, era obrigado a recolher o fio que, além do mais, muitas vezes se enredava e fazia nós, com todas as chatices que daí decorriam.

Foi então que o homem inventou o «Sistema Tijolo III». O protagonista continuava a ser o mesmo tijolo, mas, neste sistema, em vez de estar atado a uma corda, estava atado a um elástico. Agora, o tijolo podia ser lançado uma e outra vez e voltaria sempre para trás, como um bumerangue, pensou o homem.

Quando saiu de casa e recebeu a primeira agressão, atirou o tijolo. Mas foi um fracasso total: quando o elástico entrou em acção, o tijolo voltou para trás e acertou em cheio na cabeça do próprio homem.
Tornou a tentar e levou segunda vez com o tijolo na cabeça por ter medido mal a distância.
À terceira, foi por ter atirado o tijolo fora de tempo.
A quarta vez foi muito sui generis, porque, depois de ter decidido bater na vítima, arrependeu-se e tentou protegê-la, acabando por levar com o tijolo na cara.
Ficou com um galo enorme…

Nunca se soube porque é que o homem nunca conseguiu acertar com o tijolo em alguém: se foi por causa das pancadas que levou, ou se por uma alteração no seu ânimo.
Todas as pancadas acabaram sempre por ser auto-infligidas.

 -  Chama-se a este mecanismo retroflexão: basicamente porque consiste em proteger os outros da nossa própria agressividade. Sempre que o pomos em prática, a nossa energia agressiva e hostil detém-se antes de chegar ao outro, através de uma barreira que nós impomos a nós próprios. Esta barreira não absorve o impacto, limita-se a reflecti-lo. E toda essa irritação, todo esse mau humor e agressividade se viram contra nós mesmos, através de comportamentos reais de auto-agressão (danos físicos, comida em excesso, consumo de drogas, correr riscos desnecessários) e, outras vezes, através de emoções ou sentimentos dissimulados (depressão, culpa, somatização).

É muito provável que um utópico ser humano «iluminado», lúcido e íntegro nunca se irrite. Seria óptimo para nós se nunca perdesse-as estribeiras, no entanto, uma vez que sentimos raiva, ira ou irritação, a única maneira de nos livrarmos delas é arrancando-as cá para fora transformadas em acção. Caso contrário, a única coisa que conseguimos, mais cedo ou mais tarde, é irritarmo-nos com nós próprios.


25 de setembro de 2014

O nosso valor





"Quem ainda deseja esta nota?

Cassan Said Amer conta a história de um palestrante que começou um seminário segurando uma nota de 20 dólares e perguntando:


- Quem deseja essa nota de 20 dólares?

Várias mãos se levantaram, mas o palestrante pediu:

- Antes de entregá-la, preciso fazer algo.

Amassou-a com toda fúria, e insistiu:

- Quem ainda quer esta nota?

As mãos continuaram levantadas.

- E se eu fizer isso?

Atirou-a contra a parede, deixou-a cair no chão, ofendeu-a, pisoteou-a e mais uma vez mostrou a nota – agora imunda e amassada. Repetiu a pergunta, e as mãos continuaram levantadas.

- Vocês não podem jamais esquecer esta cena – comentou o palestrante.

– Não importa o que eu faça com este dinheiro, ele continua sendo uma nota de 20 dólares. Muitas vezes em nossas vidas somos amassados, pisados, maltratados, ofendidos; entretanto, apesar disso, ainda valemos a mesma coisa."

 Não se esqueçam de quem são, do vosso real valor e não se deixem abater com comentários depreciativos e criticas que apenas têm o intuito de vos destruir. Acreditem em vocês, vivam com dignidade e afastem-se das pessoas negativas e que não vos querem bem. Deixem as relações tóxicas e fiquem apenas com quem vos valoriza e vos trata bem, apenas porque merecem.