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18 de novembro de 2014

Bruno



Para ti, meu filho querido, desta mãe que te ama.
Sou aquela mãe contra quem te rebelaste porque te queria impor disciplina e limites,
a mesma mãe contra quem gritaste palavras amargas que feriram bem fundo o meu coração,
aquela que odiaste e contra quem viraste as tuas zangas interiores e a raiva mal contida,
a mesma que te deu colo e confortou o coração partido
e contigo aprendeu o valor da generosidade.

Sou aquela mãe que te quis ensinar a diferença entre o bem e o mal e a importância dos valores,
aquela a quem tu viraste as costas, fingindo que nada te importava e que tudo sabias,
a mesma mãe que te quis proteger e a quem não compreendeste,
aquela que te amparava e a quem tu repelias com rudeza
é a mesma mãe a quem ensinaste a importância de brincar.

Sou aquela mãe que te quis mostrar o mundo e as suas complexidades,
a mesma que procurou compreender-te, apoiar-te e amar-te apesar de todas as diferenças.

Sou aquela mãe que te defendeu quando o mundo contra ti se virou,
a mesma que te amparou nas quedas e tratou das feridas,
aquela que não é perfeita e que falhou tantas vezes.

Sou aquela mãe que te ensinou a falar, a andar, a vestir e a enfrentar a vida com dignidade e honra,
a mesma que contigo aprendeu a doçura do abraço e a importância da família.

Sou aquela mãe que te colocou no mundo e durante anos a ti se dedicou,
a mesma que se orgulha dos teus bons sentimentos, sensibilidade e compaixão pelos outros,
a tal que se sente realizada com a pessoa maravilhosa que és,
aquela que te deu vida e, mais importante ainda, te deu alma e coração.

Sou aquela mãe que de tudo abdicou, inclusivé de si, para que nada te faltasse e fosses feliz,
a mesma que tantas vezes fingiu não ver ou ouvir para atenuar o ambiente,
aquela que contigo partilhou um quarto de hospital.
é a mesma que tu não viste chorar por dentro e esperava que adormecesses para te dar o beijo que tinhas renegado.

Sou aquela que foi mãe e pai, que se desdobrou, que passou por cima de mágoas para te dar o melhor de si,
a mesma que tudo te perdoou porque amor de mãe é puro, desinteressado e cheio de perdão.

Sou todas essas mães e muitas mais, mas, essencialmente, sou a mãe que se sente a pessoa mais especial do mundo por te ter e que te ama aconteça o que acontecer.


Meu filho, meu orgulho!

Aqui fica a história do teu nascimento que começa em novembro de 1992, um ano antes de conheceres o mundo.
Foste fruto de um desejo enorme de voltar a sentir as delicias de ser mãe e a tua concepção foi do mais planeado que pode haver. A Mónica tinha já 4 anos, eu estudava e trabalhava e tinha muita vontade de ter outro filho o mais cedo possível. Não queria esperar mais tempo porque não queria que houvesse muita diferença de idades entre os irmãos e desejava muito um rapaz.
Com estas variáveis, resolvi planear tudo ao pormenor, desde os alimentos ingeridos para favorecer o rapaz, até à data exacta em que teria de engravidar para que nascesses em Novembro. As aulas terminavam em meados de Dezembro para férias de Natal. Em Janeiro e Fevereiro haveria férias para preparação das frequências e apenas teria que voltar às aulas em março. Portanto, final de Novembro era a data ideal para te ter porque poderia ficar em casa contigo, acompanhar-te nos primeiros meses e amamentar que era algo que sempre fiz questão de fazer.. Também queria muito receber epidural e ter, desta vez, um parto tranquilo, sem o sofrimento e a angústia do primeiro. É como sempre digo, se fossem os homens a ter filhos, já há muito que havia partos sem dor. Não entendo essa necessidade de se parir na dor quando tudo pode ser vivenciado de forma muito mais presente e sentida.Quando revelei os meus planos ao obstetra a cara de espanto que ele fez foi impagável e respondeu - Isso não é bem assim, pensa que é atar e pôr ao fumeiro? Epidural? - Não garanto, não funciona assim. Mas foi, correu tudo exactamente como tinha planeado. A gravidez foi santa, sem sobressaltos de qualquer espécie e vivida com muito amor. Fui muito mimada e tu muito desejado.
Na data marcada lá fui, preparada tanto quanto se pode estar numa situação destas e correu tudo como queria. Parte da dilatação feita, a bendita da epidural e tudo o resto foi mágico.. senti,vi, colaborei, amei cada segundo do teu nascimento. Se fechar os olhos sou transportada ao primeiro olhar, aquele que nos liga para sempre ao coração de um filho; ao primeiro toque, o toque da descoberta de um corpo que será sempre um pedaço do meu coração; ao primeiro cheiro, doce, tranquilo, de céu e mar. Se o amor tivesse cheiro de certeza que cheirava ao de um filho acabado de nascer. São lembranças únicas que não se apagam jamais da memória emocional e sensitiva de uma mãe. Nasceste com ânsia de mundo, desperto para o que te rodeava, curioso em relação a tudo. Olhos enormes de espanto, com fome de alimento e vida. Passaste a noite a chorar e foi só quando da primeira visita ao querido Dr. Sabino que descobrimos que tinhas partido a clavícula direita durante o parto, graças às três circulares e à necessidade de nasceres rapidamente, e foi exatamente sobre esse lado que te deitei para poder olhar para ti e contemplar deslumbrada. Não admira que chorasses tanto. Foi também nessa primeira consulta que o pediatra vaticinou o teu 1,80 em adulto. Ficámos naturalmente espantados mas o homem sabia da poda e não se enganou nada. E hoje és um homem bonito, bem diferente daquele pequeno e amoroso ET, cabeça grande e orelhas salientes, olhos enormes, sempre esbugalhados e um corpo pequeno e magro, demasiado precoce na parte motora e com alguma preguiça na parte da linguagem e do raciocínio  abstrato. Andaste com nove meses e até fazia impressão ver um bebé tão pequenino e franzino, com perninhas de alicate a andar, sempre com a famosa fralda de rastro. Era um nojo aquele vicio da fralda na boca. E estas tendências precoces mantiveram-se pela vida fora, agitado, mexido, inquieto, sempre em movimento, a pular, a saltar e pouco dado a programas que exigem de ti concentração e quietude. Para ti não dá, ou há movimento ou é uma seca. És brilhante em tantas coisas e com uma capacidade ímpar que desperdiças porque não canalizas energias para o que é importante. Essa necessidade inesgotável de mundo, de descoberta, de novidade, de gente é a tua característica mais marcante. Sempre assim foi e acredito que sempre assim será. Depois veio a escola e a tendência manteve-se, és perspicaz, inteligente, criativo (principalmente para a asneira), com grande poder de argumentação, mas pouco aplicado e muito desorganizado e desarrumado. Acredito que é mais preguiça que outra coisa, mas que são hábitos irritantes, isso são. Hoje, estás um Homem mais calmo, doce, com uma grande necessidade de toque, que adora gomas, o Sporting e abraços e a quem me orgulho de chamar filho.



 

 





18 de setembro de 2014

Dia cheio

 

 Levantar às sete, como de costume, preparar o pequeno almoço e levar o Miguel à escola para estar logo na abertura do banco, às 8.30, uma hora a tratar de burocracias, a que se seguiu mais uma hora de espera no centro de saúde para tentar marcar uma consulta, sem médico, já que fiquei sem médico de família há dois meses, desde que se reformou a minha querida Dra. Margarida. Não há substituto, não há consultas, não há previsões e isto dito presencialmente, depois da tal hora de espera porque ao telefone foi impossível obter a informação depois de mais de 20 dias a tentar diariamente. Seguiu-se uma pausa para tomar o pequeno almoço com o meu filho grande. É tão bom podermos dedicar um tempo a sós a cada um dos filhos. É tão bom quando isso acontece com o Bruno.Temos sempre mil e um assuntos para partilhar, temos beijinhos e festas, (já anteriormente aqui disse que este é de todos o meu filho mais físico, que precisa de mais  toque e minhi minhices), temos tempo para tomar decisões, temos tempo para rir e viver ... é mesmo bom e agradeço cada momento que tenho oportunidade de passar a sós com ele, numa espécie de namoro entre mãe e filho, que só quem é mãe compreende.
E ala para o trabalho que se faz tarde. Tempo para despachar uns emails e assinar alguns papéis e logo de seguida duas reuniões chatas e intensas. Ao aproximar-se a hora de almoço, verifico que tenho apenas 20 minutos para comer qualquer coisa antes de seguir para o tribunal. Corro para junto do maridão para comer uma sandes e beber um café e aproveitar para dois dedos de conversa rápida. Tarde em tribunal como testemunha de um loooongo e extenuante julgamento. Mais espera e burocracias porque ninguém sabe nada no Palácio da Justiça. A vara atribuída já não existe, o juízo cível também não, era no 6º piso, passou para o 3º e afinal está no 5º. Andamos para cima e para baixo de elevador, perguntando a cada ser que encontramos o que devemos fazer. E devo referir que foram pouquissimas as pessoas com que nos cruzámos, parece um edifício fantasma, aquele do Palácio. Ás tantas, temos os dois advogados, as duas partes e respectivas testemunhas, toda a gente já em amena cavaqueira, tentando em conjunto perceber onde parar. É absolutamente incrível como está a funcionar  esta reforma da nossa  pseudo justiça. Saí eram já 19 horas e pelo meio ainda tive de recorrer ao apoio da avó para ir buscar o Miguel à escola. Bendita sejas, minha mãe, não sei que faria sem ti! Chegada a casa é hora de verificar os trabalhos de casa do piqueno e pensar o jantar. Aqui descambei. Estava tão, mas tão cansada, exausta mesmo, emocionalmente desgastada e não me apeteceu cozinhar. Vai daí, sai frango assado da churrasqueira da esquina e está feito. Pelo meio ainda atendi dezenas de telefonemas, tentei tranquilizar uma amiga em crise, dei um abraço a outra e atendi dois doentes com problemas. Para acabar em beleza, o Sporting deixa-se empatar no último minuto. Que dia! Só de o descrever já me cansei, imaginem agora o que foi vivê-lo. Não é que não goste de ter o dia preenchido mas dispenso bem as burocracias, os empregados mal dispostos e sem paciência, as esperas improdutivas, as reformas que não levam a lado nenhum, pessoas mal criadas, mais esperas e burocracias e o desgaste emocional de situações verdadeiramente stressantes e desnecessárias. Salvou-se o pequeno almoço. Obrigada Bruno, salvaste o meu dia!